segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Amor e desamor.

O que eu mais gosto em Paris é que você tem o direito de ser quem você é sem que ninguém fique te olhando na rua por isso. Quer dizer, sem que nenhum francês fique te olhando por causa disso, talvez um dos zilhões de brasileiros que aqui estão te olhem, mas não é esse o ponto.

Eu gosto de Paris porque as pessoas não se preocupam o tempo todo se seus cabelos estão lisos, sem friz e penteados. Impossível isso por aqui, seja pelo vento constante seja pelos cortes radicais de cada um.

As pessoas não se preocupam com suas roupas do mesmo jeito que no Brasil. Lá eu me sentia mal se saísse com uma roupa mais ou menos, uma roupa mais confortável ou de tênis. Aqui, “pas de problème”, você pode sair do jeito que você quiser. Posso fazer a mistura que for que ainda to na moda (não que essa fosse muito minha preocupação antes, mas é bom se sentir bem e não sofrer olhares críticos).

Aqui o que vale é conforto, é usar uma roupa bonita que te permita andar o dia todo – a maior parte das pessoas anda de metrô – que te permita trabalhar e que não vá machucar seu pé ao longo do dia.

Tem também que ser quente, tem que ter casaco, mas tem que ser leve para não cansar e poder tirar quando entra em algum lugar – 90% usa calefação.
O que realmente pega aqui é maquiagem. Todo mundo usa maquiagem. E não to falando de um gloss básico, é maquiagem completa: base, lápis, sombra, rímel, batom, blush. Todos os dias! Nesse sentido eu estou atrasada. Confesso que às vezes faço a maquiagem – leve, claro! – mas não tenho muita paciência com isso. Acho deveras chato passar um tempão frente ao espelho me maquiando, se tentar fazer isso todo dia, não dá, irrita...

Outra coisa que eu não gosto aqui é a televisão, acho que já falei disso, mas os programas são muito ruins. Ou é desenho animado ou programa de auditório ou reportagem especial sobre algum tema chocante. Fora os jornais e a méteo – esse último eu adoro, aqui eles são fanáticos pelo tempo, passa meteorologia o dia todo na TV.

O que eu também não gosto aqui é a relação que as pessoas têm umas com as outras. As pessoas não se olham, não se falam e não se tocam (no sentido de tocar mesmo, encostar). A parte de não encostar eu gosto, principalmente no metrô, confesso que sou meio nojentinha com isso. Mas não se pode olhar pras pessoas, inclusive isso é meio perigoso quando se é mulher. Sorrir então, nossa! Existe um ditado que fala “une femme qui rit, à moitié dans son lit”, imagina então se você sorri e ainda olha…

Mas ainda assim eu me divirto. Essa semana por exemplo, eu estava num supermercado com uma amiga e estava tocando umas músicas muito boas (mercados tocam músicas de verdade!) e eu comecei a dançar. E uma menininha começou a dançar comigo. E ninguém ficou olhando achando estranho. Pelo menos não demonstrou. O máximo é alguém ter pensado que eu era uma polonesa maluca (é... vai fazer alguém acreditar que eu sou brasileira...) que estava muito louca de felicidade junto com a amiga. Isso é muito bom. Eu me diverti e ainda fiz uma menininha feliz.

Eu sinto falta sim dos meus amigos, das baladas, da falta de comprometimento que eu tinha com a minha vida e com meu futuro, mas cada dia que passa tenho a certeza de que eu não poderia estar em outro lugar. Não estou falando que nunca mais vá voltar, não é isso. Em agosto eu to de volta para passar férias. Mas o que eu quero dizer é que aqui sou feliz de um jeito diferente. Eu amo esse lugar, pronto. E eu amo mesmo tendo que abdicar da presença daqueles que amo.

A cada um seu próprio lar...

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